"A forma é apenas vazio,
O vazio apenas a forma" (Prajna Paramita)
Os cinco skandhas são os sentidos, sensação, pensamento, volição e consciência. Todos são vistos claramento como vazios, como não tendo essência ou qualidades próprias. Os skandhas são modificações da consciência, da cognição/ser, e quando esta consciência primordial for desperta como prajna, o vazio é percebido. Isso não significa que as coisas não existem. Se estamos conscientes de uma cadeira, por exemplo, prajna não acaba com a cadeira; ela acaba com a ilusão de que a cadeira seja algo separado e distinto da consciência; isto é, de que o ser seja separado e distinto da cognição.
À medida que se desenrola o drama da vida, cada um de nós é participante e observador, ator e platéia. Enquanto pudermos alternar como ora um, ora outro, ora observador, ora participante, nossa vida tem um fluxo regular. Mas quando tentamos ser ambos simultaneamente, com o perigo complementar de não ser nenhum, há uma ameaça de crise, e em sua esteira nós tentamos nos agarrar ao centro.
Além disso, exatamente como um filmes pode dar a ilusão de movimento através de uma sucessão de quadros fixos, o intelecto consegue dar a ilusão de um fluxo vivo por uma alternância de "eu" e "aquilo" conformados em palavras e conceitos. Desta união nascem os cinco skandhas. O nascimento, porém, é um nascer morto, e até mesmo nossa salvação se revela como uma nova danação.
O centro nos agrilhoa, mas sem ele, se ele vier a cair em pedaços, se dissipar, se recostar, nós seremos livres, mas danados, nadando numa mar de pânico e culpa. Com o centro estamos seguros, mas prisioneiros atados a um triturador mantido em movimento por nossos esforços para ficar o centro eternamente.
O corpo é uma coisa estranha: é e não é eu. É uma ambiguidade viva. Eu controlo o corpo. Quando as pessoas olham para "meu" corpo, pensam que olham para mim; será?
Algumas pessoas acham que, se pudessem ao menos subjugar o corpo, seriam capazes de, por fim, solucionar esta ambiguidade que tanto frustra quanto confunde, e assim encontrar a paz que procuram. De modo que começam a "treinar" o corpo: yoga, karatê, tai-cchi, esportes, dança. Não há nada de errado com eles. O que está errado é o motivo subjacente. O verdadeiro praticante destas artes usa-as como um modo de expressar a ambiguidade. O novato as usa para expô-la, para ter o "eu" como controlador e o "aquilo" como controlado.
(A vaca de ferro do zen)