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Sábado, Outubro 22, 2011
Descarte!

Sim... Quando as coisas seguem um fluxo, devemos acompanhá-lo. Esse lance de nadar contra a maré, depois de uma certa idade, só traz problemas. Sim, as coisas e pessoas são/estão descartáveis e “tudo que é sólido desmancha no ar”. Mas tem gente por aí que não segue essa linha : os últimos dos moicanos.

Se você é um desses, vai aí um pequeno conselho: em Roma faça como os romanos.

No reino dos descartáveis, faça como eles: descarte! Sem pena, sem pensar muito, sem se julgar egoísta ou antiético... feche os olhos, descarte e pronto. Sim, é um exercício, mas com o passar dos anos se torna cada vez mais fácil.

By Lenina (Diálogos Subterrâneos)


Alguns conseguem...
Clarice M.
Segunda-feira, Agosto 15, 2011
A cava e o rego

Sou uma dessas pessoas que repara em concavidades. Sem vexo.
A primeira vez que vi a sua, quase não me contive e quis mergulhar no seu lado oco. Um lado oco não seco, pode ser? Pode. Então eu queria mergulhar no seu lado oco de cachoeira no fundo da montanha. Se joga, você dizia. Jogo o jogo. Gojo? (fiz o verbo delirar, Manel?) Jorro, só que ao avesso. Despornografo.
Existe gozo para dentro? Existe. E tem gosto de vinho, pêra e... experimento meu dedo. Tem gosto de quê?... Pele? Sim, pele e apelo. O que vem dentro da pele? Avidez de concavidades, acho, e esfrego o côncavo da sua mão.
Mas sob o edredom branco, você repara no meu convexo. O órgão mais convexo é também o mais complexo? Não descompassei o seu. Desculpe se não soube onde encaixar a minha rasidão. E ela ficou pendendo ali, ao som de Back to Black, morta mas ainda ressonando.
Fui eu que me enganei achando que de tão fundo no meu útero você chegaria no coração. Confundi as cavas. Cavei a cova.

Clarice M.
Quinta-feira, Agosto 11, 2011
"Outro ataque, ainda mais sutil, ao corpo é feito em nome da conquista da "ânsia". Por sermos Unicidade, nossa ânsia é sempre pela Unicidade; esta ânsia é a sede e a fome fundamentais. Tudo que fazemos é uma expressão desta ânsia, que encontra alívio, mas não a paz, na singularidade. Tudo que fazemos pode ser visto como sintomático desta 'doença' de ansiar pela Unicidade."

(Vaca de ferro do zen)
"A forma é apenas vazio,
O vazio apenas a forma" (Prajna Paramita)

Os cinco skandhas são os sentidos, sensação, pensamento, volição e consciência. Todos são vistos claramento como vazios, como não tendo essência ou qualidades próprias. Os skandhas são modificações da consciência, da cognição/ser, e quando esta consciência primordial for desperta como prajna, o vazio é percebido. Isso não significa que as coisas não existem. Se estamos conscientes de uma cadeira, por exemplo, prajna não acaba com a cadeira; ela acaba com a ilusão de que a cadeira seja algo separado e distinto da consciência; isto é, de que o ser seja separado e distinto da cognição.

À medida que se desenrola o drama da vida, cada um de nós é participante e observador, ator e platéia. Enquanto pudermos alternar como ora um, ora outro, ora observador, ora participante, nossa vida tem um fluxo regular. Mas quando tentamos ser ambos simultaneamente, com o perigo complementar de não ser nenhum, há uma ameaça de crise, e em sua esteira nós tentamos nos agarrar ao centro.
Além disso, exatamente como um filmes pode dar a ilusão de movimento através de uma sucessão de quadros fixos, o intelecto consegue dar a ilusão de um fluxo vivo por uma alternância de "eu" e "aquilo" conformados em palavras e conceitos. Desta união nascem os cinco skandhas. O nascimento, porém, é um nascer morto, e até mesmo nossa salvação se revela como uma nova danação.

O centro nos agrilhoa, mas sem ele, se ele vier a cair em pedaços, se dissipar, se recostar, nós seremos livres, mas danados, nadando numa mar de pânico e culpa. Com o centro estamos seguros, mas prisioneiros atados a um triturador mantido em movimento por nossos esforços para ficar o centro eternamente.

O corpo é uma coisa estranha: é e não é eu. É uma ambiguidade viva. Eu controlo o corpo. Quando as pessoas olham para "meu" corpo, pensam que olham para mim; será?
Algumas pessoas acham que, se pudessem ao menos subjugar o corpo, seriam capazes de, por fim, solucionar esta ambiguidade que tanto frustra quanto confunde, e assim encontrar a paz que procuram. De modo que começam a "treinar" o corpo: yoga, karatê, tai-cchi, esportes, dança. Não há nada de errado com eles. O que está errado é o motivo subjacente. O verdadeiro praticante destas artes usa-as como um modo de expressar a ambiguidade. O novato as usa para expô-la, para ter o "eu" como controlador e o "aquilo" como controlado.

(A vaca de ferro do zen)
tes
A vida é curta. Você tem que fazer o que quer, agora.
Quebrar a cara. Só experimentando você vai saber o que quer e o que não quer.
Primeiras impressões são importantes, mas nem sempre elas são o suficiente para você saber... então não se contenha, mas saiba os limites (os seus e os dos outros).


É... mães não são as melhores amigas, mas a minha chega bem perto.
Segunda-feira, Agosto 01, 2011
Quem poderia imaginar que o fim dos tempos seria tão calmo?

Clarice
Pornogradia

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:

a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca

b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer

c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos

d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote tem salvação

e) Que um rio que flui entre dois jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre dois lagartos

f) Como pegar na voz de um peixe

g) Qual lado da noite que umedece primeiro…

(Manoel de Barros)
Quinta-feira, Junho 30, 2011
Fecho Orkut, fecho Twitter, fecho Facebook, fecho Tumblr, fecho os olhos. Ainda que por um momento. Quando foi que começamos a falar tanto com os dedos e escutar tanto com os olhos?
Com tantas falas, penso que silenciar também pode ser uma própria voz própria. Só que não quero mais o contentamento implícito do silêncio. Quero romper, integrar, entregar... não sei bem o que quero, talvez um passo, um espaço, um 'a', uma abertura.
Escrevo dispersa porque hoje tudo acontece na nuvem e acho que ela anuviou também meus pensamentos, então preciso me desvelar de novo. Preciso fazer sol e deixar que os raios sejam esses dedos meio tortos. Farei isso com tempo.
Por enquanto, fica o pensamento: o ensaio às vezes sai melhor do que a própria peça.

Clarice M. está comemorando à sua maneira uma quase volta e um início.
Terça-feira, Maio 17, 2011
Intoxicante

So far so good. Is it?

What I mean is,
It's good that I've been good to you, darling
But, honestly,
When do I get some?


Quarta-feira, Abril 27, 2011
Haikai da (v)ida

Flow
fly . . . ´
fui.

(só copie se for pra (se) libertar)

Clarice M.
Terça-feira, Fevereiro 08, 2011
"Não sei por que nessas esquinas vejo seu olhar"


Como é sentir saudade daquilo que não é bem nosso?...

Clarice M.
Quarta-feira, Fevereiro 02, 2011
- Melhor que um campo florido? Receber uma flor.
Domingo, Janeiro 23, 2011
Ensinava como ser amada. E isso era muito bonito, só que poucos percebiam. É que aprender tal disciplina exigia uma delicada obsessão. E tomava tempo. Anos. Coisa mesmo para poetas e loucos.
Mas uma vez que se aprende a amar alguém...
"Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema. Se deveria dizer assim: ele está muito feliz porque finalmente foi desiludido. Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade." (Lispector)

Não se encaixava em nenhum sistema. Ficava com as borboletas no recreio. Depois maior, achou que poderia pertencer. Só não tinha achado o grupo certo. Literatura, filmes, yoga. Sim, são uma grande parte de si. Mas sempre há aquela voz cavernosa que diz 'não é aí, não se engane'. Começava a entender que não haveria grupo ou sistema que a absorvesse. Não era para ser sorvida.

Clarice M.

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Clarice - 25 anos, ser humana sem manual, jornalista, ioguini, zen-budista. Agora volte e apague as palavras, eu sou o que sobra. <$Clarice$>

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